Consultoria em TI, uma desafiadora oportunidade

Veja 14 de Novembro de 2011 PDF

Abrir empresa própria ou participar do quadro de uma grande companhia pode agregar conhecimentos e aumentar o valor de mercado de profissionais

Por James Della Valle

No terceiro trimestre de 2011, o mercado de tecnologia da informação (TI) cresceu 10% em relação ao mesmo período de 2010. É um avanço invejável, mas que fica tímido quando comparado a outra marca. A demanda por profissionais especializados subiu 60%, de acordo com a empresa de recrutamento e seleção Asap. Os números mostram que o setor está aquecido e comprovam a dificuldade que as companhias enfrentam para contratar mão de obra qualificada. É, por outro lado, um momento favorável a profissionais dispostos a investir na consultoria, já que o mercado procura pessoas dispostas a resolver tarefas específicas em prazos determinados – a especialidade dos consultores, que trabalham por empreitada. Pode ser também a chance de virar dono do próprio nariz.

De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), estima-se que haja 1,2 milhão de profissionais de TI no país. A ideia de exercer a consultoria atrai muitos profissionais. Na prática, isso significa abandonar um cargo de TI em companhias tão distintas quanto supermercados, hospitais e grandes lojas, entre dezendas de outras, para passar a atender essas mesmas companhias como um prestador de serviço. Pode-se estar empregado em uma grande consultoria de TI ou abrir o próprio negócio.

"A consultoria atrai porque permite que os profissionais se desenvolvam de forma mais ampla. Com o tempo, e a diversificação dos projetos executados para diferentes clientes, eles passam a adquirir mais conhecimento e aumentam seu valor de mercado", diz Matilde Berna, diretora de transição de carreira da Right Management, especializada em reposicionamento profissional. Denis Del Bianco, diretor da TOTVS Consulting, corrobora a tese. "No nosso caso específico, cada projeto dura em média quatro meses. Nesse período, aprendemos com a cultura de outras empresas e lidamos com pessoas de diferentes especialidades. É enriquecedor do ponto de vista profissional."

"Consegui contratos com grandes instituições como USP e Fapesp. Vivemos um momento curioso, em que a falta de mão de obra especializada nas grandes empresas nos favorece, pois podemos oferecer nossos serviços com qualidade técnica e humana."
Diego Ferreira Ucha, 5 anos de consultoria

Outra vantagem é a possibilidade de crescer "horizontalmente" na profissão. O termo pode soar estranho, mas pretende explicar uma situação corriqueira. Refere-se a profissionais que, à medida que evoluem na carreira, continuam atuando em áreas técnicas e projetos, em vez de serem obrigados a assumir posições de gerência, mais burocráticas. "Trabalhando em empresas cujo negócio principal não é TI, rapidamente os melhores profissionais são alçados a cargos de gerência", diz Thomas Gisler, executivo de serviços da CPM Braxis Capgemini, especialista na área de sistemas SAP (gestão empresarial). "A consultoria expande os horizontes: você sempre está fora, viajando e lidando com culturas empresariais diferentes." Quem optar pelo negócio próprio, é claro, terá de enfrentar de cara questões gerenciais.

Além das diversas opções disponíveis, a remuneração também é um atrativo na hora de partir para a independência. De acordo com a Catho Online, site que reúne e tabula ofertas de empregos e currículos, o ganho mensal médio de um consultor com graduação completa é de cerca de 5.000 reais, enquanto um programador ou analista de banco de dados, com o mesmo tempo de experiência profissional, recebe apenas metade desse valor. Com o tempo e a especialização, a consultoria pode render mais de 8.000 reais mensais aos profissionais reconhecidos.

Consultoria pode ser um boa escolha, mas nem de longe está livre de percalços. Intermitência de trabalho é um deles – minimizado em tempos de mercado aquecido –, já que os consultores trabalham por empreitada. Apesar dos eventuais riscos, Matilde Berna, da Right Management, aconselha a todos os profissionais de TI tentar a experiência. "O profissional ganha um olhar mais apurado do universo em que atua. Muitos acabam voltando para empresas tradicionais, mas, mesmo assim, com ganhos."

Fonte: Veja

Sobre mim

Especialista em Tecnologia da Informação pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli / USP) e Cientista da Computação pelo Senac São Paulo.

Consultor em desenvolvimento de sistemas Web, com especialidade em Bibliotecas Virtuais e Digitais.

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